Técnica 27: Muros de Defesa

Uma das técnicas mais antigas da histórica da humanidade é estabelecer barreiras físicas para se evitar conflitos. Nos dias atuais, os condomínios fechados ocuparam os espaços dos vilarejos medievais cercados, certas fronteiras entre países são cercadas (a exemplo da fronteira entre EUA e México). Enquanto técnica de mediação, os muros de defesa são medidas de exceção.

 
Tais barreiras também podem ser virtuais, a exemplo dos ex-namorados que se bloqueiam nas redes sociais para que a vida possa seguir seu curso. Há também as barreiras mentais, a exemplo da técnica da não-rotulagem descrita anteriormente (técnica 26).
 
Não obstante serem medidas de exceção, sua utilização pode ser essencial em determinadas formas de conflitos estabelecidos, especialmente em razão da proxemica. Proxemica é o estudo dos espaços pessoais no meio social, que vai desde o espaço necessário à conexão íntima até o espaço necessário para se falar em público.
 
A seguir, o relato de um caso em que a colocação de uma barreira física foi a solução adotada para conciliar uma família em conflito sobre direito de vizinhança.
 
Três famílias, chefiadas por três irmãos, que habitavam um mesmo terreno contíguo, em razão de o terem o recebido de herança do pai e mãe já falecidos, em três casas diferentes existentes no mesmo terreno.
 
A primeira família, com a primeira casa do terreno, localizada à sua frente, em contato com a via pública, reclama das duas outras, pois todo o lixo era deixado por elas, teoricamente na sua parte do terreno, haja vista que não havia uma divisão clara dos espaços.
 
A segunda família, por seu turno, com a segunda casa na sequência do terreno, reclamava da terceira família, em razão de que eles estacionavam seus carros naquele espaço, que teoricamente seria seu, no terreno.
 
Na audiência de conciliação dos Juizados Especiais, compareceram naquele dia não só os três irmãos, mas também suas esposas e filhos. Todos vieram para a audiência e não havia local suficiente para permanecerem juntos na sala de conciliação.
 
Foi então pedido para somente os proprietários dos terrenos e suas esposas ali permanecerem. A primeira e a segunda família tinha suas pretensões já estabelecidas, sendo a terceira família, teoricamente a seria a reclamada pelos demais. 
 
Porém, ao se apresentar durante a audiência, os integrantes da terceira família afirmaram que, por sua casa ser a última do terreno, situada aos fundos, era a que menos possuía um terreno próprio, logo, as dificuldades de se estacionar e de se depositar o lixo, seriam evidentes, necessitando de uma servidão de passagem definida, com os demais proprietários. Para eles, não era somente uma questão da metragem dos terrenos.
 
Foi então a vez das esposas apresentarem as reclamações, desde a invasão de espaços dos varais, à falta de privacidade, cachorros fazendo necessidade na porta da casa do outros e música alta.
 
Foi pedido um desenho da planta do terreno aos reclamantes para se avaliar a situação. Foi então sugerida uma área comum, na qual seria a passagem e que, fora dessa área, todos poderiam estabelecer muros, afim de demarcar seus espaços privados.
 
Com a possibilidade de se levantar muros, os problemas foram em grande parte solucionados e as firmaram o acordo para resolver o conflito de vizinhança.

Como dito, barreiras são medidas de exceção mas, na atual realidade, pode ser imprescindíveis à melhoria das condições de vida e de privacidade. Portanto, pode ser usadas para solucionar conflitos, estabelecendo limites físicos ou virtuais entre pessoas, para o bem de ambas.