Técnica 17: Pacing

          Pacing é uma técnica acessória ao desempenho das atividades de resolução das controvérsias.

          Ela serve aos profissionais mediadores como estratégia comunicativa para estabelecer empatia com as partes.

          Sua aplicação deve ser feita na audiência a partir dos depoimentos iniciais das partes sobre o conflito havido.

          Ao escutar cada uma das partes, o mediador deve proceder repetindo o que foi dito pela parte, procurando repetir seus gestos e palavras de igual maneira, tom e velocidade da fala, confirmando o que foi dito.

          Ao fazer com ambas as partes, o mediador não só faz conexão de empatia com cada uma delas, mas também acaba por colocar-se enquanto canal comunicativo entre elas.

          Isso ocorre pois, ao estabelecer empatia com cada partes e repetir o que a parte diz, permite a superação de bloqueios comunicativos e de entendimento pela outra parte, facilitando assim a percepção da realidade de ambos e suas necessidades para a superação da controvérsia.

          Mesmo nas situações em que há antagonismo evidente e irascível entre as partes, o mediador deve insistir no pacing para, aos poucos, ir estabelecendo empatia com cada uma delas e facilitando sua posição enquanto canal de comunicação.

          Por vezes, o mediador deve observar as características comunicativas das partes e procurar atuar de maneira semelhante, quando for fazer interlocuções não espelhadas diretamente nas palavras delas, explicando para cada uma, ao se dirigir a elas, dentro do pacing específico observado.

          Deve ser observada que a natureza do pacing é de técnica acessória e, dentro da atuação profissional do mediador, serve para o fim específico do procedimento, que é de facilitar a solução da controvérsia, dentro do interesse demonstrado pelas partes. Logo, sua conduta espelha a ética do mediador em respeitar a realidade e vontade das partes e deve ser usado para facilitar a comunicação.